A Apple está se vendo diretamente no alvo das novas tarifas do presidente Donald Trump, mesmo após um esforço de anos para isolar o fabricante do iPhone das guerras comerciais e das interrupções na cadeia de suprimentos.

Uma longa lista de tarifas anunciadas pela Casa Branca deve atingir a empresa de forma especialmente dura, desencadeando sua pior queda nas ações em cinco anos. As novas tarifas chegarão a 34% para a China, o que elevaria a taxa total sobre os produtos chineses para 54%, ameaçando desestabilizar uma cadeia de suprimentos da Apple que ainda tem o país asiático como seu núcleo.

Mas as tarifas também abrangem outros centros de manufatura da Apple, minando os esforços para se afastar da China. Embora a empresa ainda produza a maioria dos dispositivos vendidos nos EUA em fábricas chinesas, a Apple agora fabrica seus produtos em uma variedade de países.

A Apple pode ser afetada ainda mais, dado a necessidade de obter componentes de vários outros países e regiões que também estão sendo atingidos por tarifas. Um porta-voz da Apple não respondeu a um pedido de comentário.

O anúncio alarmou os investidores, que estão cada vez mais preocupados com o impacto no resultado financeiro da Apple. As ações caíram 9,2% em Nova York na quinta-feira, apagando cerca de US$ 311 bilhões (R$ 1,6 trilhão) em valor de mercado. Foi a pior queda em um único dia desde 16 de março de 2020, quando a pandemia de Covid desencadeou uma venda generalizada.

As ações já estavam em baixa de 11% este ano até o fechamento de quarta-feira, parte de uma retirada mais ampla no setor de tecnologia.

As tarifas mostraram o quanto as empresas globais de tecnologia estão expostas a fornecedores e fabricantes na Ásia, que foram os mais afetados pelo anúncio de Trump. A Casa Branca disse que as novas tarifas entrarão em vigor em 9 de abril.

As ações da Dell, que comanda uma das cadeias de suprimentos mais extensas da indústria, despencaram 19%. A empresa sugeriu que pode precisar ajustar seus preços em resposta às tarifas.

A Logitech, uma empresa de eletrônicos de consumo com sede na Suíça, mas que obtém a maior parte de suas vendas dos EUA, caiu 17% nas negociações em Zurique, a maior queda em mais de dois anos. A empresa produz a maioria de seus produtos em instalações na Ásia e no México.

Durante a primeira administração de Trump, o CEO da Apple, Tim Cook, convenceu o presidente a excluir o iPhone e alguns outros produtos das tarifas. Ele argumentou que as tarifas prejudicariam uma empresa americana e beneficiariam a Samsung Electronics Co., com sede na Coreia do Sul.

As novas tarifas provavelmente pressionarão as margens, “dado que não esperamos que a empresa aumente os preços para compensar os efeitos”, disseram os analistas da Bloomberg Intelligence, Anurag Rana e Andrew Girard, em uma nota. Se a Apple aumentar os preços, o fará em um momento de sentimento do consumidor instável, disseram eles.

No início deste ano, a Apple buscou reconquistar a boa vontade de Trump prometendo investir US$ 500 bilhões nos EUA nos próximos quatro anos, uma leve aceleração da taxa sob o presidente Joe Biden, sem considerar a inflação. Como parte desse esforço, a empresa disse que produziria alguns servidores relacionados à IA no Texas. Ela também começou recentemente a produzir um pequeno número de chips em uma instalação no Arizona.

Atualmente, a Apple realiza pouca ou nenhuma produção em massa nos EUA. Ela anuncia um único modelo — o Mac Pro, que começa em US$ 6.999 — como sendo fabricado no Texas. Mas essa máquina é vendida em quantidades limitadas, e muitas de suas peças são importadas da China e de outros lugares.

© 2025 Bloomberg L.P.

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